A Canudos, velha em mim

Em Canudos me sinto viva, perdi a noção do tempo, me sentia parte daquele lugar e parecia que estava ali há anos, me sentia uma canudense. Vivemos tanta coisa em tão pouco tempo, tudo é intenso lá. Ficamos a flor da pele...


Então, cheguei em São Paulo... para ser sincera me sinto um peixe fora d água, não me sinto mais em casa e tenho cada vez mais a sensação de que minha casa ficou em Canudos Velho com a minha mainha Zefinha.


Basta isso para se formar um nó na garganta. E ali estavam todas aquelas pessoas que ansiavam minha chegada, me bombardeando de perguntas e agora são dois nós na garganta.


As palavras custam a sair.


Respiro fundo.


Revivo cada segundo que estive naquele sertão...


A saudade é incontrolável, um sol majestoso, o céu mais estrelado que já vi, o vento que cantava em meus ouvidos, aquela terra vermelha e aquelas pessoas. Ahhhh, aquelas pessoas... <3


Quando olho em volta percebo que estão fascinados com cada palavra que sai da minha boca e a realidade estampa, bem ali na minha frente, que eu voltei. As lágrimas escorrem pelo rosto, mais uma vez, estes daqui também precisam de mim, mas a vontade, o desejo, era de estar em Canudos.


E aí, quando penso em Canudos a primeira palavra que vem a minha cabeça é AMOR. Deixei amor lá, fiz por amor, fiz com amor, mas de todos os amores o mais lindo é o dos canudenses. Trouxe um pedacinho de cada um deles comigo, mas a cada quilômetro que me distanciava da Bahia, tinha a certeza que eles ficaram com um pedaço enorme de mim.


O choro ainda é inevitável, a cada palavra, espaço, vírgula e ponto ainda escorre uma lágrima pelo o meu rosto, mas é um choro bom de ser chorado, inexplicável, mas é um choro aconchegante, que talvez me aproxima de Canudos.


Canudos me traz, também, muitos sorrisos, os mais puros e valiosos que já vi. Traz muitas histórias, por vezes tristezas, mas também muitas felicidades, resistência de um povo alegre e guerreiro, traz muitos saberes e ensinamentos e deixa muita, muita saudade.


Chegou a hora de deixar todas aquelas pessoas queridas na sala de estar e ir para aquele ambiente que não parceria mais ser meu: o "meu" quarto. Hora de desfazer as malas e aí você não quer desfazê- las, porque aí sim acabará de uma vez por todas...


Não, não acabará, Canudos está viva em meu coração eu tenho um pedacinho dela e ela tem um pedação de mim.


"Aí, Canudos, a saudade é de matar

A,í Canudos, quem me dera tu voltar

Sinto saudade em meu peito que não posso explicar

Quando lembro de Canudos dá vontade de chorar..."


#2016 #Pedagogia #Diário

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